Inquérito Policial, a verdade sobre esta “aberração”

Segundo informações oficiais, somente no Estado do Paraná há 33.586 presos. Destes, 20.464 estão inseridos no sistema penitenciário. Os outros 13.122, estão recolhidos ilegalmente nas carceragens das Delegacias de Polícia. Estranhamente, membros do Judiciário e do Ministério Público, este, fiscal  da lei,  tentam dar uma “aparência” de legalidade à esta grave e vergonhosa violação aos Direitos Humanos dos presos e dos Policiais, como fizeram na  Comarca de Campina da Lagoa e outras que, demonstram cabalmente que não sabem o que é Cadeia Pública, confundindo esta com Delegacia de Polícia. Continuando, há 34.793 mandados de prisão pendentes de cumprimento no Estado do Paraná. Se todos os mandados fossem cumpridos, teríamos uma população carcerária de exatos 68.379 presos. Dentre todos esses procedimentos investigatórios que resultaram no decreto de prisão, é quase impossível  encontrar uma única ação penal que não tenha sido iniciada através da “aberração” chamada inquérito policial. O inquérito policial é uma peça extremamente temida pelos poderosos e corruptos. Governos simpatizantes da “corruptocracia”, que é o governo dos corruptos, pelos corruptos e para os corruptos, jamais investirão na Polícia Judiciária. Temem ao extremo o poder desta Instituição, cuja única missão é a busca da verdade. Por essa razão, seus dirigentes não gozam das garantias concedidas aos Juízes, Promotores e Defensores Públicos. Integrantes da Polícia Judiciária são fiscalizados 24 horas por dia pela imprensa, Advogados e por toda a sociedade. São também investigados por todas as demais instituições. Promotores e Juízes, ao contrário, só podem ser investigados por seus próprios pares. Assim é muito fácil “parecer” honesto, por essa razão, é compreensível a luta desesperada contra o poder de investigação do CNJ. Bill Clinton, como Presidente dos EUA era o homem mais poderoso do planeta, e como qualquer cidadão comum, teve que comparecer perante o júri,  para responder se havia ou não esfregado o pênis em Monica Levinsk Outro passo importante a ser dado é acabar com os privilégios dos “intocáveis”, como esta tal de punição máxima, que é a aposentadoria compulsória. Isto é uma verdadeira piada. Ser aposentado compulsoriamente é o sonho de todo corrupto. Ainda temos muito que aprender em matéria de democracia. Gosto de ouvir palestras em que membros do Ministério Público falam do inquérito policial.  Dizem sempre, que o inquérito é uma mera peça informativa, sem nenhum valor probatório, mal elaborado, descartável, utilizável ou não pelo Promotor no oferecimento da denúncia. Enfim, o inquérito policial, em uma inteligência limitada, é uma aberração. Todavia, se isso fosse verdade, como explicar os números citados acima. Somente estes números comprovam a eficiência desta “mera peça de informação”. Atente-se ainda que a Polícia Judiciária, responsável pelas investigações, ainda é obrigada a cuidar de 13.122 presos ilegais em Delegacias de Polícia. Imaginem o que ocorreria se a Polícia Judiciária tivesse todo o seu efetivo focado somente em sua missão de apresentar á sociedade  a verdade dos fatos. Muitas das críticas feitas á Polícia Judiciária do Paraná, é fruto da falta de conhecimento, falta de inteligência, e ausência de honestidade de alguns “juristas” que não se atualizam. Muitos criticam a Polícia Judiciária, sem no entanto, conhecer sua verdadeira face. È uma Instituição composta por um grupo de profissionais altamente qualificados, com formação nos mais variados ramos do conhecimento científico e que, coordenados por um Delegado de Polícia, realizam as inúmeras diligencias visando demonstrar, através do inquérito policial, a verdade dos fatos. Este compromisso em estabelecer a verdade, é que faz a Polícia Judiciária e o inquérito policial, tornarem-se o alvo principal de crítica dos pseudos-juristas e de corruptos mal intencionados travestidos de intelectuais. Por esse receio da verdade, é que são raros os governantes que investem na reestruturação desta Instituição. Os fiscais da lei não se importam se o efetivo da Policia Judiciária está em desvio de função, cuidando de presos recolhidos ilegalmente em Delegacias de Polícia. Importa tão somente desqualificar a Polícia Judiciária e o inquérito policial, mesmo que isto venha em prejuízo de toda a sociedade. Aos  que nos criticam, lanço o desafio para que venham  nos conhecer. Por essas razões, sempre terei orgulho de ser integrante da Polícia Judiciária, pois temos a mais empolgante e compensadora missão, que é a busca da verdade.

 

Claudio MARQUES Rolin e Silva

Delegado de Polícia

Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos “Irmãos Naves”