Entrevista com Delegado Chefe de São Mateus do Sul – Nagib Nassif Palma

1 – Fale um pouco sobre a sua trajetória de vida e na Polícia Civil do Paraná, e em quais delegacias já laborou e por que escolheu essa profissão?

Eu sempre quis ser delegado de polícia, desde a época da faculdade, sempre acreditei e ainda acredito, que o delegado pode ajudar em muito a população da cidade onde atuar, basta fazer o seu trabalho da melhor maneira possível e os resultados acontecem. Também sei que o delegado é o que chega mais perto da “verdade real”, objetivo da persecução penal, sabe o que realmente aconteceu, pois literalmente “toca” o crime, e com isto consegue com suas investigações formalizadas pelo inquérito policial, garantir que a justiça seja feita.

Ingressei na Polícia Civil em 2002, após obter a segunda colocação no concurso de provas e títulos. Perfilando todas as funções possíveis, fui delegado titular da Delegacia de Realeza; Delegado Chefe das Regionais de Ibiporã e Marechal Cândido Rondon; Delegado Operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina; Delegado Adjunto da 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava, da 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão, da 9ª Sudivisão Policial de Maringá e da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, além de Delegado Chefe da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória, da 18ª Subdivisão Policial de Telêmaco Borba e da 3ª Subdivisão Policial de São Mateus do Sul, todas às vezes fui removido a bem do serviço público.

2 – O senhor chegou a pouco tempo para chefiar a Subdivisão de São Mateus do Sul. Nesse curto período, o senhor já tem metas traçadas para implementar o novo Plano de Gestão Estratégica da Divisão Policial do Interior (DPI)?

Sim, já elaborei um Plano Operacional, seguindo estritamente as diretrizes da Divisão Policial do Interior, inclusive apresentado-o às principais autoridades locais, dentre elas o chefe do executivo, representante do judiciário e do ministério público, além, é claro, do chefe da DPI.

3 – Quais as suas expectativas em relação aos trabalhos a serem desenvolvidos nesta Subdivisão?

São animadoras, pois o plano elaborado é perfeitamente exequível, a curto e médio prazo e não há necessidade de grandes investimentos em verbas, mas tão somente algumas adequações no ambiente e, o mais importante, motivação dos servidores, que tenho certeza corresponderão e os resultados virão por corolário, se Deus quiser.

4 – Durante os anos de trabalhos prestados na Polícia Civil do Paraná, o senhor poderia relatar qual foi caso que mais lhe chamou a atenção e por quê?

Posso elencar pelo menos quatro, todos relativos a homicídios bárbaros e que me despertaram curiosidade, por conta da capacidade do ser humano, de qualquer nível cultural e financeiro, de qualquer idade, de ceifar a vida de pessoas que até mesmo ama, e que tem grande proximidade, representando verdadeiro ato inexplicável, que talvez somente uma análise psicológica, e quiçá espiritual, poderia justificar tal monstruosidade, vejamos:

a – um jovem de classe média alta (filho de empresário), que matou sua namorada, porque naquele momento não quis fazer sexo com ele, ocultando o cadáver em baixo de sua cama, por pelo menos dois dias, dias estes que o criminoso foi curtir o carnaval em outras cidades;

b – um jovem de classe média alta (filho de empresário) que assassinou pelo menos quatro pessoas, tão somente para mostrar para aos amigos do que era capaz e que poderia escapar da polícia, verdadeiro “SERIAL KILLER”, que conseguimos prender em uma favela de São Paulo, onde vivia com outro nome e com exitoso emprego de construtor e pintor;

c – um rico e influente fazendeiro que matou sua segunda mulher, que era uma obsessão quando era adolescente (parente dele, muito mais nova) – alegando que ela havia sido sequestrada, potencializando tal falácia pela imprensa e através de políticos, claro que levados a erro, sendo certo que havia matado seu AMOR, por CIÚMES, e ocultara seu corpo enterrado em sua fazenda;

d – conhecido ex-secretário da fazenda de uma grande e importante cidade, que foi assassinado pelo companheiro e a família, com o fito de ficar com considerável parcela da fortuna.

5 – Sobre crimes de grande repercussão e difícil investigação, como por exemplo o caso da jovem Tayná, de Colombo, região metropolitana de Curitiba. Qual a visão do senhor?

Acho que a polícia judiciária deve seguir todas as teses investigativas, não duvidar de nada, averiguar todas as óticas, trocar informações com todos os órgãos, todavia, agir sempre dentro da legalidade e da moralidade e, principalmente, ter cautela. E, principalmente, não se influenciar pela pressão popular e midiática que estes casos irradiam.

6 – Em sua opinião, de que forma o delegado de polícia pode contribuir para enfrentar as dificuldades encontradas atualmente em uma delegacia de Polícia?

Creio muito na motivação de seu pessoal, quer sob o aspecto logístico, quer sob o aspecto investigativo, sem esperar grandes milagres, sem esperar por mais verbas, por aumento de salário, por mais servidores, mas sim fazendo o que for possível, da melhor maneira possível, através de parcerias, treinamento e até mesmo com certa “psicologia”, digamos assim, demonstrando a importância da Polícia Civil para a população e a gratificação que vem ao nosso encontro, quando somos reconhecidos por consequência do trabalho levado a cabo e que, lembramos, sempre acontece.

7 – Qual o tipo de crime lhe traz maior preocupação?

Além do homicídio, o tráfico, que acabam, direta ou indiretamente relacionados.

8 – De que forma o senhor pretende colocar em prática o projeto da “Delegacia Cidadã” em São Mateus?

Atuando em dois aspectos: o primeiro, sob a ótica mais repressiva, com um projeto operacional que tenha investidas de caráter mais presencial, de certa forma até mesmo com características preventivas, ao circular constantemente nas ruas, em locais de maior criminalidade, em conjunto com a Polícia Militar, bem assim, intensificando as investigações, mormente tendo como alvo a pequena e média traficância, que tanto trazem violência as cidades, fomentando outros delitos, como homicídios, furtos, roubos, dentre outros. O segundo aspecto, de visão mais voltada a intensificação da qualidade do atendimento ao cidadão, como também para conforto dos servidores. Para isto, iremos fazer adequações na estrutura predial da delegacia, isolando a tramitação de presos e detidos, das pessoas que vão a delegacia em outra condição, como vítimas, testemunhas, informantes etc., inclusive com sala destinada à Policia Militar, quando da entrega de detidos. Criaremos um “parlatório”, para segurança e mais conforto no atendimento dos advogados aos seus assistidos presos no SECAT, o que permitirá uma melhor garantia nos direitos e deveres dos envolvidos, adequaremos uma sala para reconhecimento, nos casos de vítimas e testemunhas que precisem visualizar o investigado, para melhor certeza da autoria..

9 – Como delegado adjunto em Cascavel o senhor mostrou ótimos resultados. Pretende manter o mesmo foco em São Mateus? O que mudará na forma de trabalho?

Vou trabalhar da mesma forma, pois assim conseguimos ajudar na segurança das cidades em que atuamos, ressaltando o combate ao pequeno e médio traficante, já que em Cascavel, onde fiquei cerca de sete meses, equipes compostas por excelentes profissionais, coordenadas diretamente por mim, prenderam mais de sessenta traficantes, o mesmo ocorreu anteriormente, quando atuei como delegado adjunto em Maringá, onde no período de cerca de um ano e meio de atividades, prendemos cerca de duzentos traficantes, resultados que tenho certeza, contribuíram para a redução da criminalidade, ou no mínimo, com a minimização em sua escalada. Claro que agora, também vamos focar, com toda intensidade no projeto elaborado pela Divisão Policial do Interior, na figura de seu titular, Dr. Rogério Antonio Lopes, com enfoques que permitirão que as atividades da Polícia Civil sejam mais eficazes e, por extensão, contribuindo para maior segurança e cidadania, típicas do padrão delegacia cidadã.

10 – Como o senhor avalia as críticas como um todo que a Polícia recebe da população e da imprensa?

Sinceramente, acho até salutar e sempre existirão, todavia, devemos ter consciência que temos parcela de culpa nessas críticas, a partir do momento que só reclamamos e não fazemos nada para melhorar, visto que sempre é possível melhorarmos. Basta termos um pouco de vontade, de criatividade, e atitudes objetivas, que as boas ações da polícia aparecerão e por consequência as críticas serão de menor intensidade.

 

Fonte:  http://www.dpi.policiacivil.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=2014

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