Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Tancredo  Neves certa vez afirmou que “enquanto houver um único brasileiro sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda prosperidade será falsa”. O assunto desta manifestação não é política ou assistência social, mas sim a permanência de encarcerados em unidades Policiais, o que representa uma grave violação aos Direitos Humanos dos presos e dos Policiais. Não podemos acompanhar impassíveis a cada ano, a morte de integrantes da Polícia Judiciária cumprindo uma atribuição que não faz parte da missão da nossa Instituição. A Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, quando fala a respeito da retirada de presos das Delegacias de Polícia, transmite à sociedade a impressão de que está prestando um “favor” à Polícia Judiciária, quando na verdade só está cumprindo com seu papel, com seu dever. Nada mais. Se há uma Instituição que está prestando um favor, esta é a Polícia Judiciária. Este “favor” que já dura mais de trinta anos, está custando um preço caro aos nossos Agentes, um preço de sangue, pois a cada dia as tragédias se renovam. Não é papel do Investigador, atuar na guarda de presos que não mais interessem ao trabalho de investigação.  As violações aos Direitos Humanos devem ser rigorosamente combatidas, não adianta transferir a violação de local. Não podemos deixar de reconhecer os avanços e inovações que tivemos nesta administração, mas o assunto não pode ser esquecido um único dia. Portanto, parafraseando Tancredo Neves, posso afirmar que “enquanto houver um único preso recolhido em carceragens de Delegacias de Polícia, todo suposto avanço em matéria de Direitos Humanos também será falso”.

Curitiba, 14 de novembro de 2013.

Claudio MARQUES Rolin e Silva

Presidente do SIDEPOL

Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos “Irmãos Naves”


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