Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

‘REALIDADES QUE PODEMOS MUDAR’

14 de novembro de 2013

Segundo reportagem veiculada em diversos jornais do Brasil,  apenas 30% dos brasileiros confiam na Polícia. Sei que podemos contestar a metodologia. Podemos alegar o desconhecimento das divisões de atribuições existentes entre as Polícias. Podemos contestar afirmando que, normalmente, de cada duas pessoas, uma vítima e um infrator, que comparecem em uma Delegacia de Polícia, um deles sairá alegando que foi vítima de “erro de interpretação” dos Investigadores. Enfim, poderíamos alegar uma série de falhas no resultado apresentado pela pesquisa. Porém, este não é o objetivo deste artigo. Podemos usar este número alarmante para despertar um senso de ação urgente entre todos os integrantes da Polícia Judiciária. Todas as Instituições são formadas por seres humanos, e como tais são seres falhos. Porém, a Polícia Judiciária, que tem a missão de buscar a verdade que cerca o evento criminoso, não pode ter o comportamento de uma Instituição comum. Não podemos de forma alguma adotar o discurso de que somos “iguais” aos demais. A Polícia Judiciária, pela importância extrema de sua missão, deve ter uma conduta completamente diferenciada. A Polícia Judiciária deve encontrar soluções para a questão da criminalidade. Deve encontrar os meios para dar proteção efetiva aos profissionais que exercem atividades de risco, tais como os Agentes Penitenciários, os seguranças de transporte de valores, os profissionais da imprensa, Defensores Públicos, Professores, Advogados e outros. Sempre digo que a nossa missão é “realizar o impossível, com a máxima perfeição”. Está em fase de conclusão o planejamento estratégico da Polícia Judiciária. Temos todos os meios para fazer de nossa Instituição um motivo de orgulho para a sociedade. Temos a obrigação de ser a Instituição-modelo. Para isso traçamos metas futuras ambiciosas, extremamente desafiadoras, porém perfeitamente realizáveis. O serviço público não padece por falta de verbas, mas sim, por falta de ideias inovadoras. Não podemos nos calar quando nossas prisões não passam de depósitos de seres humanos. A Polícia Judiciária não pode transformar um Investigador de Polícia em um violador “involuntário” de Direitos Humanos. Os Delegados de Polícia devem se mobilizar para dar um freio no excesso de criminalização de condutas que resultam em milhares de prisões desnecessárias. Não podemos fazer do Estado um “agenciador de mão de obra” para o crime organizado. A medida de encarceramento só deverá ser aplicada quando extremamente necessária. Vamos lutar por aprovação de leis que apresentem resultados práticos no que se refere à reinserção social do infrator. Através de capacitação contínua de nossos Servidores e do Programa de Voluntariado da Polícia Judiciária, faremos das Delegacias de Polícia verdadeiros centros de promoção da cidadania e dos Direitos Humanos. Muitos podem achar que não isso passa de um sonho, porém as ações já estão sendo realizadas. Vamos fazer do Paraná um dos lugares mais seguros para viver e investir. A Polícia Judiciária mostrará que nada é impossível, quando o objetivo é nobre.

Curitiba, 07 de novembro de 2013.

Claudio MARQUES Rolin e Silva

Presidente do SIDEPOL

Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos “Irmãos Naves”


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