Nota de esclarecimento ao público sobre matéria do Jornal Nacional

Considerando o teor da matéria veiculada no Jornal Nacional no dia 09 de abril de 2015, relatando possível ato da Corregedoria da Polícia Judiciária do Paraná, que teria tentado obter dos repórteres do Jornal gazeta do Povo a identificação de fontes de informação dos profissionais da imprensa com relação à reportagens sobre integrantes das Polícias Judiciárias, O Sindicato dos Delegados de Policia do Paraná, vem à público prestar os seguintes esclarecimentos:

Nenhum repórter foi ouvido recentemente pela Corregedoria da Polícia Judiciária do Paraná, e se alguma indagação foi feita por outra Instituição, é merecedora do nosso mais veemente repúdio.

Qualquer tentativa de identificar fontes de informação de jornalistas deve ser repelida, pois vai contra toda a doutrina da Polícia Judiciária firmada no II Encontro Nacional dos Delegados de Polícia sobre Aperfeiçoamento da Democracia e Direitos Humanos, em que a defesa da liberdade de imprensa é valorizada e enaltecida não só no Enunciado 19, mas também nas medidas 14 e 16 do Plano Nacional de Defesa Social e Aperfeiçoamento da Democracia (Pacto pela Moralidade, Legalidade e Cidadania dos Delegados de Polícia do Brasil) que  tratam, respectivamente, da garantia da liberdade de imprensa e da busca de aprimorar a legislação para dar maior proteção aos profissionais da imprensa.

O trabalho da imprensa e, especificamente, do jornalismo investigativo, é de salutar importância para as Instituições democráticas, notadamente para as Polícias Judiciárias, pois tendo estas a missão de buscar a verdade, quanto maior fiscalização sobre os atos dos integrantes das Polícias investigativas, menores serão as probabilidades de ocorrência de erros judiciários.

Jamais nos oporemos à qualquer ato de fiscalização, pois quanto maior a nossa transparência, mas rapidamente alcançaremos o nível da excelência, portanto todos são chamados á dar sua contribuição, através de informações sobre crimes, sugestões, elogios ou denúncias de irregularidades.

Mesmo que às vezes sejamos duramente criticados, entendemos que autoridades que investigam, acusam e julgam, devem ter um comportamento exemplar perante a sociedade, e os Delegados de Polícia sempre defenderam e continuarão a defender a liberdade de expressão, pois entendemos que a imprensa livre é uma das vigas mestras de sustentação e aprimoramento do Estado Democrático de direito.

 

Curitiba, 10 de abril de 2015

 

Claudio MARQUES Rolin e Silva, Delegado de Polícia.

Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná.

Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves.