Clipping: Policiais acusados de tortura no ‘caso Tayná’ são interrogados

Os policiais acusados de torturar os quatro funcionários do parque de diversões, suspeitos de matar a adolescente Tayná Adriane da Silva, 14 anos, em junho de 2013, foram interrogados durante esta semana, no Fórum de Colombo. Essa quinta-feira foi o último dia de oitivas, em que foram ouvidos o delegado do Alto Maracanã à época do crime, Silvan Pereira, réu no processo de tortura; e o delegado Fábio Amaro, que o substituiu logo em seguida, como testemunha de defesa no julgamento.

O Ministério Público acusa os policiais de terem torturado os quatro rapazes para obter a confissão do assassinato de Tayná. A maior parte dos 21 policiais envolvidos no processo continua afastada – com exceção de dois ou três que se aposentaram.

O advogado de defesa André Romero afirmou que o espancamento dos suspeitos foi cometido por outros detentos das delegacias de Araucária e Campo Largo, para onde eles foram transferidos após a população de Colombo ameaçar invadir a Delegacia do Alto Maracanã. “Um crime de conotação sexual é reprimido veementemente pela massa carcerária e, por isso, não se pode colocar esses criminosos no meio de outros presos”, afirmou o advogado de defesa dos policiais, André Romero.

Segundo o advogado, enquanto os suspeitos ficaram na Delegacia do Alto Maracanã não foram “misturados” com os outros detentos, “para preservar a integridade física”. “Eles foram transferidos assim que a população ameaçou se revoltar, para resguardá-los”, disse.

André disse que, até agora, o processo conta com 20 volumes e mais de 30 horas de depoimentos. Tanto o MP quanto a defesa dos policiais ainda podem pedir diligências antes das alegações finais.

O policial Rudis Elói, um dos interrogados durante essa semana, considera que a acusação foi uma retaliação do Grupo de Atuação Especial de Combate Ao Crime Organizado (Gaeco), braço do MP-PR, em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, que tramitava à época do crime, e atribuía exclusivamente às polícias Federal e Civil a competência para a investigação criminal.

“Aproveitaram a deixa e prejudicaram muitas famílias. Eu me aposentei e deito com a minha cabeça no travesseiro à noite e durmo tranquilo. Será que eles também fazem isso?”, questionou Rudis. “Espero que o processo termine logo e a verdade venha à tona”.

 

Fonte: Paraná Online – 27.08.15