Clipping: Divisão de Homicídios vai investigar mortes decorrentes de intervenção policial no Rio de Janeiro

O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso, anunciou esta manhã que todos homicídios decorrentes de intervenção policial (ou autos de resistência) passarão a ser investigados pela Divisão de Homicídios do Estado. O anúncio ocorre após uma série de mortes provocadas por policiais em favelas do Rio de Janeiro e menos de dois meses após o lançamento do relatório “Você Matou meu Filho: Homicídios cometidos pela Polícia Militar na Cidade do Rio de Janeiro”. A pesquisa da Anistia Internacional detalhou casos de execuções extrajudiciais praticadas por policiais em serviço, com foco na favela de Acari (RJ). O relatório expõe o modus operandi de parte dos policiais, que abusam da força letal e manipulam as cenas dos crimes na tentativa de culpar a vítima por sua própria morte violenta, o que compromete as investigações e alimenta o ciclo de violência e impunidade.

A medida anunciada pela chefia da Polícia Civil atende uma das principais demandas da campanha da Anistia Internacional pela erradicação da prática de execuções extra-judiciais pela polícia e pela busca da justiça, com a responsabilização adequada por tais crimes. Desde agosto, uma petição endereçada ao governo do Estado do Rio de Janeiro e ao Ministério Público Estadual cobra uma série de medidas específicas para ampliar o controle sobre a atividade policial e reduzir a letalidade e a impunidade.

“Esta mudança estrutural na gestão da segurança pública é importante, mas precisamos de prazos claros e compromissos de investimentos de recursos humanos, financeiros e técnicos para garantir que a Divisão de Homicídios possa assumir e cumprir tal tarefa com agilidade e transparência. Trata-se do primeiro passo de um processo complexo de transformação na forma como os homicídios praticados pela polícia são tratados pelo governo”, afirma Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional. “Continuaremos mobilizando a sociedade e cobrando as autoridades para que outros avanços sejam assegurados”.

 

A pressão está dando resultado! Participe da campanha: assine e divulgue a petição e #DigaNãoÀExecução

 

Fonte: Anistia – 01.10.15