Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Integrantes da Polícia Judiciária e Polícia Militar do Paraná deflagraram a operação Alexandria com o intuito de responsabilizar os envolvidos em diversas práticas delituosas comandadas de dentro dos presídios. A notícia teve ampla repercussão e foi veiculada no Jornal Nacional. A imprensa muitas vezes comete equívocos nas informações, mas não por má-fé, pois na grande maioria dos casos, tais equívocos são oriundos da falta de conhecimento adequado sobre detalhes da investigação policial. Muitas informações devem ser protegidas pelos profissionais da investigação naquilo que chamamos de preservação do método. O profissional da investigação prefere dizer que tudo foi fruto de denúncia anônima do que se vangloriar sobre sua capacidade de atuar com Agentes infiltrados, pois isto colocaria em risco a vida de diversos Policiais e bem como o sucesso futuro de outras investigações. Portanto, profissionais da imprensa podem se equivocar, podem criticar o trabalho Policial, podem dizer que a Polícia errou, pois eles não são detentores de conhecimento profundo do trabalho investigativo. Resumindo, profissionais da imprensa são “ininputáveis” em suas críticas. O que não admitimos é alguém que já foi Policial e que já ocupou o cargo de secretário nacional da segurança pública, afirmar sem o necessário conhecimento do trabalho desenvolvido que a ação foi “midiática” e pouco “eficaz”. A Gazeta informou que o ex-secretário nacional foi consultado por telefone, o que confirma que ele nada sabia sobre detalhes das investigações que ocorreram aqui no Paraná. Não é preciso ser “especialista” para saber que a entrada de celulares nos presídios deve ser evitada. Qualquer pessoa com elevado grau de idiotia sabe disso. Cuidar de presos não é papel das Polícias, mas se há riscos que partem de dentro dos presídios é missão das Polícias agir em defesa da sociedade. Talvez o nobre “ex-secretário nacional” desconheça que as Polícias Judiciárias, Militares e os Agentes Penitenciários não possuem autonomia financeira. Sabemos que existem bloqueadores de celulares, sabemos que existem equipamentos e armamentos mais sofisticados, sabemos sobre a necessidade de blindagem nas viaturas, mas não temos os meios para aquisição. Nenhum Policial quer “morrer” na rua por “esporte”. Não adquirimos os materiais necessários porque não temos autonomia financeira sequer para investimentos na atividade-fim. Fui fuzileiro naval, Policial Militar, Investigador de Polícia e hoje sou Delegado. Conheço as dificuldades enfrentadas por estes homens que arriscam suas vidas todos os dias em defesa da sociedade. É inadmissível que um Coronel venha afirmar que nossos Investigadores e Policiais Militares estão promovendo ações midiáticas. Isto é uma verdadeira afronta aos profissionais que estão hoje arriscando suas vidas para corrigir a incompetência dos ex-secretários nacionais. Midiáticos são os “especialistas de pijamas” que, ao atender um repórter, não resistem aos minutos de fama e dão as mais estapafúrdias opiniões sobre investigação policial que desconhecem por completo. Isto além de ser midiático é caso clássico de incompetência e falta de profissionalismo. Estes “especialistas” quando estavam na ativa nada sabiam, depois de aposentados passam a ter soluções mágicas para todos os problemas do mundo. A imprensa pode criticar o nosso trabalho, qualquer cidadão pode contestar nossas ações, o que não admitimos é alguém que já foi Policial e já ocupou o mais elevado cargo na segurança pública nacional tecer críticas infundadas como se fosse um leigo. Só há duas explicações para a conduta do ex-secretário nacional de segurança pública: incompetência ou má-fé.

 

Claudio MARQUES Rolin e Silva

È Delegado de Polícia, graduado em Direito e Teologia. Pós-graduado em Direito Público e Gestão de Segurança Pública. Presidente do SIDEPOL/PR e Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves.


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