Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Nobres Delegados de Polícia e demais profissionais integrantes da Polícia Judiciária:

Como Profissionais da investigação, exercemos uma missão de tamanha nobreza, que recorrer a uma paralisação seria um ato extremo. Diferente de outros profissionais que podem “repor” o trabalho não executado durante o período de greve, não teremos jamais como repor o sangue derramado e as vidas ceifadas pela violência dos criminosos.

Estamos sob constantes e levianos ataques de outras instituições. As Operações das Polícias Judiciárias estão assombrando a confraria criminosa dos detentores de foro privilegiado. O esvaziamento das atribuições dos Delegados de Polícia, a manutenção de Investigadores de Polícia em desvios de função, a falta de investimentos, a desestruturação contínua e permanente das Polícias investigativas, as recentes discussões sobre o ciclo completo militar, fazem parte do mesmo “pacote do desespero” dos adeptos da corrupção comum e da corrupção jurídica, pois, com estas ações, visam impedir e dificultar ao máximo que as Polícias Judiciárias cumpram a sua missão constitucional de busca da verdade.

Dentre todas as instituições que buscam nos atingir, a que mais se destaca é o Ministério Público, uma instituição sem fiscalização e sem controle, que promoveu no país um verdadeiro assalto aos cofres públicos através da corrupção jurídica.

Uma greve de filósofos seria mais perceptível e prejudicial à sociedade do que uma greve da alta cúpula do Ministério Público, cujo único trabalho se resume a denegrir e atingir a imagem das Polícias Judiciárias, visando com isso fortalecer os mecanismos da prática da corrupção jurídica e garantir  a mais completa e absoluta impunidade com o “monopólio” de decidir sobre o resultado de investigações

Os governantes e outras autoridades, são profundas conhecedoras do elevadíssimo conceito de cumprimento da missão por parte dos integrantes das Forças de Segurança. Sabem que mesmo sem a estrutura necessária, mesmo atuando em desvio de função e que, mesmo tendo seus mais elementares direitos desrespeitados, tais profissionais continuarão cumprindo a sua missão de buscar a verdade e defender a  sociedade.

Para algumas autoridades, homens que usam armas são proibidos de fazer greve, porém há um certo risco de caos social nos contínuos atos de violação aos direitos básicos dos Servidores das Polícias Judiciárias,  uma vez que os proibidos de fazer greve são os mesmos que usam armas. Estamos sim chegando ao limite do tolerável quando assistimos um Policial, que arrisca a vida todos os dias, receber um salário mensal menor que o auxílio moradia de servidores que lucram os mais altos salários da administração pública.

A “economia”, feita pelos Governantes com as sistemáticas violações aos direitos básicos dos Policiais, não está sendo revertida em prol da sociedade, mas está garantindo a regularidade do pagamento destes verdadeiros abusos com verbas públicas para uma casta privilegiada que, sob o argumento da autonomia financeira e não contentes com os salários milionários, complementam a “renda” com os penduricalhos do “auxilioduto” e as verbas retroativas mensais. Um covil de ladrões do erário

Integrantes do executivo e do legislativo se comportam como verdadeiros reféns acometidos da síndrome de Estocolmo, e não estão dispostos a enfrentar tais desmandos, pois exercendo um mandato com foro privilegiado temporário não desejam se indispor com ocupantes de carreiras públicas, com elevado poder decisório e ainda detentores de foro privilegiado vitalício.

Para um combatente, a certeza da derrota é a trágica tentativa de “terceirizar” a sua guerra. As Polícias Judiciárias contam com competência legal, informações estratégicas e capacidade operacional, portanto não há razão para depender de ações de parlamentares que estão acuados pelo excesso de poder e falta absoluta de controle de algumas instituições.

Assim, solicitamos aos Delegados de Polícia e demais integrantes da Polícia Judiciária do Paraná que continuem envidando todos os esforços para buscar a excelência no cumprimento da nossa missão, porém sem se omitir jamais na adoção e apoio de todas as medidas necessárias para buscar a  reestruturação da Polícia Judiciária, para enfrentar às usurpações de nossas atividades, para buscar o respeito integral aos direitos dos nossos honrados e dedicados Servidores. Apoiem as entidades de classe na promoção destas lutas. Somente o cerco total a todos os atos de corrupção será capaz de dar um novo rumo à nossa nação e, esta, é a nossa mais importante e urgente missão.

 

Claudio MARQUES Rolin e Silva

Delegado de Polícia

Presidente do SIDEPOL/PR

Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves.


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