Corrupção jurídica: Renan Calheiros deixou de ser “útil”?
Por Claudio Marques Rolin e Silva

 

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A Operação Lava Jato está sendo usada levianamente por procuradores e juízes como mecanismo para fortalecimento da corrupção jurídica, garantia de impunidade e manutenção de privilégios indefensáveis em um regime democrático de direito Hoje, em qualquer pequena comarca do interior dos confins, basta  contestar a imoralidade dos auxílios moradia e outros e dizer que o juiz ou o promotor não pode receber dos cofres públicos o “aluguel da própria casa” que eles já gritam uníssonos: estão querendo “cercear ” a Lava jato.  Ridículo.

Basta falar em combater a corrupção jurídica, novos gritos: não é o momento! Existe momento certo e errado para combater abusos e corrupção de determinadas castas de intocáveis?

Já sei, dirão que sou um petista. Engano. Nunca votei em Lula. Nunca votei em Dilma e não sou filiado ao PT, mas como Delegado de Polícia entendo que a lei é para todos e a corrupção deve ser combatida, em todos os poderes e instituições. A corrupção jurídica é tão prejudicial quanto a corrupção política. Juízes e promotores não estão acima da lei.

Em janeiro de 2016, logo após a folha de pagamento do Ministério Público do Paraná ter sido “rodada” com módicos valores de R$325.000,00 para alguns nobres procuradores de justiça que “combatem” a corrupção, lançamos o livro Operação Sepulcros Caiados I–Desvendando a “face oculta” do Ministério Público Brasileiro. Passo a transcrever um dos trechos deste livro de ciência política que trata da corrupção jurídica

“A luta entre Rodrigo Janot e Eduardo Cunha, não é como alguns incautos imaginam a luta do bem contra o mal. Primeiro porque o Ministério Público não entrou no ringue por iniciativa própria, mas foi conduzido “a força” pelo desfecho da Operação Lava Jato  pela Polícia Federal. Os promotores falavam tanto em combate à corrupção, alheia, não a própria, que não tiveram outra opção a não ser entrar no ringue, logo depois de um show espetacular de enriquecimentos  ilícitos  através do acréscimo de auxílios indecorosos  aos salários já milionários, estando “embutidas”  na manobra a sonegação fiscal e o não desconto da previdência. A luta do Ministério Público contra os corruptos é na verdade uma guerra travada entre os “farrapos” da moralidade. Nenhum dos lados tem a necessária qualificação moral.

Renan Calheiros, tenta o caminho da “conciliação” pensa que sendo um bom carneiro será poupado. Ledo engano, será poupado até o momento que for útil…”

O motivo para o atual afastamento de Renan pelo STF ocorreu em 2007. Estamos em 2016, e a medida só foi adotada depois que o Presidente do Senado, deixando a postura de “bom carneiro” passou a questionar os altos salários de juízes e promotores e apresentou o projeto de lei sobre abuso de autoridade.

Uma pergunta: Renan deixou de ser “útil”?

 

Claudio Marques Rolin e Silva, Delegado de Polícia, Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves. Presidente do SIDEPOL/PR. Professor de ética, liderança e direitos humanos da Escola Superior de Polícia Judiciária do Paraná. Autor do livro de ciências políticas – Operação Sepulcros Caiados I – Desvendando a “face oculta” do Ministério Público Brasileiro.
Lidera a campanha das 07 Medidas de Combate à Corrupção Jurídica e fim do foro privilegiado.
Apoie a campanha acessando os sites:

www.fimdoforoprivilegiado.com.br

www.operacaosepulcroscaiados.com.br