Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol-PR) fez um levantamento sobre o número de delegados, escrivães e investigadores lotados atualmente em Londrina, levando em consideração a 10ª Subdivisão Policial, as seis delegacias espalhadas pela cidade e os setores especializados (Homicídios, Adolescente, Mulher, Nucria e Trânsito). Os dados foram obtidos pelo sindicato através do Grupo Auxiliar de Recursos Humanos (GARH), presente no sistema informatizado da Polícia Civil.

O documento é assinado pelo vice-presidente do Sidepol, Ricardo Teixeira Casanova, e foi entregue para análise do presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal de Londrina, vereador Jairo Tamura (PR), durante a manhã desta sexta-feira (24). De acordo com o balanço, Londrina possui 14 delegados, 26 escrivães e 104 investigadores. A divisão ficou da seguinte forma:

Homicídios

A Delegacia de Homicídios de Londrina (DHL) hoje é ocupada pelo delegado Manuel Pelisson, que também atua como adjunto na 10ª Subdivisão Policial. O setor que apura crimes contra a vida ganhou atenção especial no documento elaborado pelo Sidepol. A falta de um titular foi classificada pelo sindicato como “um verdadeiro absurdo, já que, somente no mês de dezembro de 2016, Londrina registrou 29 homicídios, ou seja, quase um por dia”. Os números pioram entre outubro do ano passado e o dia 23 de março de 2017, quando mais de 90 assassinatos foram registrados na cidade.

Segundo o Sidepol, são mais de mil inquéritos existentes na Delegacia de Homicídios. Para Ricardo Casanova, “o estado de desestruturação total desta unidade contribui à impunidade que, por sua vez, gera acréscimo de violência”. Ele considerou a atitude do governo estadual em deixar “essa delegacia chegar a esse patamar consiste em verdadeira irresponsabilidade”.

Para dar conta de tantas investigações, o sindicato acredita que seriam necessários quatro delegados, oito escrivães e pelo menos 32 investigadores.

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Nucria 

O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria), sob o comando da delegada Lívia Pini desde outubro de 2015, também sofre com o baixo efetivo. Até fevereiro deste ano, a delegacia estava sem a única escrivã, que pediu licença médica. Enquanto isso, há pelo menos 700 inquéritos parados.

De acordo com Casanova, a instalação do setor especializado em apurar crimes sexuais contra crianças e adolescentes em Londrina é apenas mais um exemplo “que o Estado do Paraná, de forma reiterada, cria delegacias sem qualquer estrutura”. O Nucria funciona em um imóvel localizado na rua Gago Coutinho, no jardim Caravelle, zona leste de Londrina.

O Sidepol sugeriu a contratação de pelo menos mais dois delegados, cinco escrivães e vinte investigadores.

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Delegacia de Trânsito

Para os representantes do sindicato, a pasta também “carece de reestruturação”, já que não conta sequer com um delegado titular. A necessidade de mais profissionais é comprovada pelos números apresentados. Somente em 2015, Londrina registrou uma morte violenta no trânsito a cada três dias. Em 2016, houve ligeiro decréscimo.

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Distritos policiais

As críticas ao Estado do Paraná não param quando o sindicato analisa a situação dos seis distritos policiais de Londrina. Para o vice-presidente do Sidepol, o não funcionamento é explicado pela “ausência total de estrutura” e “falta de atenção das forças políticas quanto aos crimes mais recorrentes em boletins de ocorrência: furtos, roubos e estelionatos”.

Em relação aos dois primeiros (furtos e roubos), Londrina registrou, entre janeiro e setembro de 2016, 9.680 furtos e 6.074 roubos. Comparando os números de 2014 e 2015, houve aumento de mais de 10% em relação aos furtos e 63% em roubos.

Ainda em 2016, a Polícia Civil identificou 1.399 furtos e 900 roubos de carros, ou seja, uma média de 255 veículos roubos e furtados todos os meses. Levando em consideração o balanço obtido nos dois anos anteriores (2014 e 2015), houve acréscimo de 72% quanto aos roubos de veículos e mais de 30% em furtos de automóveis ou motocicletas.

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Furtos e Roubos da 10ª SDP

Extinto na gestão de Sebastião Ramos dos Santos Neto e retomado quando o atual delegado-chefe Osmir Ferreira Neves chegou à Londrina, o setor de furtos e roubos da 10ª Subdivisão Policial, em pouco mais de um mês, já apresenta resultados positivos. Mais de 30 suspeitos de envolvimento em crimes relacionados a veículos foram identificados pelos investigadores.

Com a intensificação das diligências, quadrilhas importantes já foram desmanteladas, como a dos assaltantes que invadiram a agência do Sicoob localizada na avenida Bandeirantes. Eles foram presos em menos de 24 horas após cometerem o crime. Além disso, o setor de furtos e roubos da 10ª SDP prendeu pessoas ligadas a vendas ilegais de peças de veículos furtados e roubados que funcionavam em um ferro-velho da avenida Dez de Dezembro.

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Nota

A Polícia Civil informa, por meio de nota da assessoria de comunicação, que a atual administração já nomeou 135 delegados, sendo que a última nomeação aconteceu em fevereiro de 2016, quando 64 novos delegados foram chamados.

“A Polícia Civil tem ciência da falta de servidores e está gestionando junto as secretarias correspondentes a nomeação de mais delegados já aprovados em concurso públicos, pois entre exoneração, óbito e aposentadoria, a Polícia Civil perdeu 20 delegados, depois da última nomeação”, diz a nota.

Com relação aos inquéritos policiais, a PC reitera que “estão todos em andamentos. Todos os locais de crime/homicídio estão sendo atendidos pela Polícia Civil, sendo que, durante o expediente, os atendimentos são feitos pelas equipes da Delegacia de Homicídios e, no período noturno, pelo plantão geral da Polícia Civil”.

Segundo dados da PC, nos últimos 15 dias, foram presos seis criminosos em virtude de investigações da delegacia de Homicídios.


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