Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Um relatório produzido pelo Sindicato dos Delegados da Polícia do Paraná, entregue nesta sexta-feira (24) à Câmara de Vereadores de Londrina, no norte do estado, apontou que falta estrutura para investigação de crimes e sobram inquéritos policiais no município. Um levantamento feito pelo ParanáTV mostra que muitos casos têm sido arquivados sem solução.

Crimes contra a vida, em tese, têm prioridade nas investigações. Mas, como explicar, que inquéritos sejam arquivados sem que se chegue a uma conclusão.

“O arquivamento só é feito quando não se tem nenhum indício, nenhum caminho pelo qual a investigação possa seguir. Quando há um decurso muito longo do tempo as provas se perdem, isso impede que o crime seja elucidado”, explica o promotor Ricardo Domingues.

Foi a situação que o responsável pela 11ª Promotoria Criminal de Londrina encontrou em 480 inquéritos policiais que apuravam assassinatos e tentativas de homicídio. Os mais antigos já estavam abertos há quase 20 anos. Em alguns, não constava um depoimento sequer. Sem possibilidade de chegar à autoria dos crimes, o Ministério Público do Paraná se viu forçado a encerrar os casos.

“O arquivamento de um inquérito representa impunidade de um crime de homicídio. Uma morte que ficou sem resposta para a sociedade”, pontuou o promotor.

Um levantamento feito pelo Sindicato dos Delegados do Paraná aponta que outros mil inquéritos que apuram homicídios estão em tramitação na Polícia Civil. Segundo o sindicato, é trabalho que se acumulou devido à falta de servidores.

O relatório entregue à Câmara de Vereadores mostra que, atualmente, Londrina tem 14 delegados, 26 escrivães e 104 investigadores, metade do necessário. Três delegacias estão sem delegado titular, entre elas a de Homicídios – que chegou a ter dois delegados.

“Temos uma dupla frustação. Não temos estrutura e ferramentas adequadas para atender a demanda do cidadão. Do outro lado, o cidadão sai desolado da delegacia de polícia. A irresponsabilização criminal gera mais violência”, diz o delegado Ricardo Casanova.

Nos últimos dois anos, o número de assassinatos cresceu em Londrina: em 2015, foram 55, e em 2016, foram 87.

“A estrutura dos órgãos policiais responsáveis pela investigação no município de Londrina está muito aquém da necessária, da demanda que a sociedade exige. Então, não se vence a complexidade e o volume de trabalho dessas investigações”, diz o promotor Ricardo Domingues.

Em nota, a Polícia Civil reconhece a falta de servidores, e disse que está questionando junto às secretarias correspondentes a nomeação de mais delegados já aprovados em concursos públicos. Desde fevereiro de 2016, quando foram feitas as nomeações mais recentes, a Polícia Civil perdeu 20 delegados, entre exonerações, mortes e aposentadorias. Na nota, a Polícia também afirma que todos os inquéritos policiais estão em andamento, e que nos últimos 15 dias foram presos seis criminosos após investigações da delegacia de Homicídios. De acordo com a nota, a instituição tem hoje o maior número de delegados da história. Sobre os arquivamentos dos inquéritos, a nota afirma que se trata de um requerimento do Ministério Público, com anuência do judiciário.

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Fonte: G1 – 24.03.17


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