Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

A Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves lamenta e repudia com veemência a iniciativa intempestiva e impensada do Presidente da União Nacional dos Juízes Federais, Dr. Ciro Augusto Cubas Briosa, que ajuizou ação na 11.ª Zona Eleitoral de Goiás, pleiteando que os juízes possam concorrer a cargos eletivos e, ainda, cometendo a insensatez de citar como possível candidato o juiz Sérgio Moro.

Invocando a supremacia do Pacto de San José da Costa Rica sobre a Constituição Federal, afirma que os magistrados não podem ser privados de direitos, pois o pacto prevê a mais absoluta igualdade entre todos os cidadãos.

Esquece-se o ilustre Presidente da UNAJUF que magistrados e membros do Ministério Público são os mais notórios “diferentes” em nossa sociedade. São detentores de foro privilegiado, só são investigados, acusados e julgados pelos próprios pares, se cometem homicídios não enfrentam o júri popular, se cometem crimes de corrupção são “punidos” com a aposentadoria compulsória e, apesar da vitaliciedade, passam a ser advogados de “luxo” quando se aposentam, em total desconformidade com o princípio da vitaliciedade.

Por esses tratamentos diferenciados, o Caso João Marcos, ocorrido em Londrina, completará em 21 de junho de 2017 exatos 14 anos de impunidade.

A citação do nome do Juiz Sérgio Moro como provável candidato, feita por uma entidade ligadas aos juízes federais de 1.ª instância, em um momento de extrema delicadeza e ebulição da Operação Lava Jato, demonstra a total incapacidade do Presidente da UNAJUF em entender o extremo perigo que atravessamos como nação. Esperamos que o STF corrija mais esta insanidade gerada pelo direito penal do espetáculo.

Esta lamentável e irresponsável medida adotada pela UNAJUF fortalece todos os tipos de argumentações contra a citada operação e eleva, ainda mais, a possibilidade real de manifestações extremamente violentas, quando transforma a futura audiência para interrogatório do ex-presidente Lula  em um aparente debate político, entre dois pretensos candidatos, sendo que o juiz terá o poder de abater judicialmente a pretensão política de seu oponente, mediante aplicação de severa pena.

Convém lembrar que o ato de julgar, impõe sim, certos limites aos que exercem tão nobre e difícil missão. Citar o Juiz Sérgio Moro como possível candidato, em meio a condução da Operação Lava Jato, poderá no futuro desqualificar completamente toda a investigação, dando margens a fortes dúvidas acerca da  imparcialidade e isenção do magistrado “candidato”, conforme pretende a UNAJUF em sua irresponsável e leviana estratégia política. O encanto pelos holofotes sempre ofuscam a luz da razão.

Claudio Marques Rolin e Silva

Coordenador Geral de Ações da C.D.H. Irmãos Naves.

 

Marques, Claudio Marques Rolin e Silva, é Delegado de Polícia do Paraná. Presidente do SIDEPOL PR. Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves.  Autor do livro de ciências políticas “Operação Sepulcros Caiados I – Desvendando a “face oculta” do Ministério Público Brasileiro”, que é o único livro que aborda o tema da corrupção jurídica. O autor lidera uma campanha nacional pelo fim do foro privilegiado. Para conhecer as 07 Medidas de Combate à Corrupção Jurídica, acesse os sites:

www.fimdoforoprivilegiado.com.br ou www.operacaosepulcroscaiados.com.br


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