Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Operação Gosto Amargo

19 de maio de 2017

Comissão e coordenadoria

Por Claudio Marques Rolin e Silva

 

O Procurador Geral da República Rodrigo Janot afirmou que a prisão do Procurador Federal Angelo Goulart Villela, acusado de receber mesada de R$50.000,00 de integrantes de organização criminosa, teve um gosto amargo para o Ministério Público, querendo transmitir a impressão de que este seria o único caso envolvendo membros desta casta de “seres angelicais”.

Lamentavelmente, todas as vezes que as mazelas do Ministério Público são expostas, são veiculadas as tradicionais notas oficiais, afirmando que as denúncias são oriundas de pessoas investigadas pelo MP, que agem com o único intuito de desqualificar o trabalho dos promotores e procuradores no combate à corrupção.

Alguns integrantes do Ministério Público em seu afã de parecer íntegro aos olhos da sociedade, acabam por criminalizar a atividade política e agora estão tentando criminalizar o nobre exercício da advocacia. Apontam os advogados que também exercem função essencial à justiça, como se fossem meros integrantes de organizações criminosas.

Quando a defesa traz ao conhecimento público as irregularidades das investigações do MP ou as manobras ardilosas da acusação, os promotores emitem notas que nada esclarecem sobre o fato em questão, como se comprova na nota oficial decorrente das afirmações de um dos acusados na Operação Publicano.

O Ministério Público afirmou que enviou os documentos ao Procurador Geral de Justiça, mas não esclarece absolutamente nada sobre a acusação de que um contador foi retirado da delação por supostamente ter ligações com a empresa JVL, do Promotor Renato de Lima Castro. Repetem o mesmo roteiro que culminou no arquivamento vergonhoso do Caso João Marcos, que envolve o Procurador de Justiça Leonir Batisti.

Lamentável que para evitar a constante repetição da rotina de “gosto amargo”, os fiscais da lei escolham sempre o caminho da ocultação dos indícios quando o acusado é membro do MP. O idealizador das 10 medidas contra a corrupção só foi preso por inexistência absoluta de outra alternativa para Janot.

O Ministério Público, ao invés de emitir notas oficiais que nada esclarecem, deveria ter a coragem de deflagrar a “Operação Gosto Amargo” e promover a abertura dos arquivos secretos de suas corregedorias e do CNMP, para conhecimento da sociedade e discussão pública de todos os indícios que foram ardilosamente desprezados nas operações Pixote, Derrama e outras, bem como no caso João Marcos, caso Robson Vieira e caso dos Fantasmas da Assembleia.

O combate à corrupção jurídica é medida necessária para promover o cerco total a todas as modalidades de corrupção, em todos os poderes e instituições.

 

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Claudio Marques Rolin e Silva, é Delegado de Polícia do Paraná, Coordenador Geral de Ações da C.D.H. Irmãos Naves, autor do livro Operação Sepulcros Caiados I – Desvendando a “Face oculta do Ministério Público Brasileiro e idealizador das 07 Medidas de Combate à Corrupção Jurídica.


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