Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná

Nobres integrantes das Polícias Judiciárias,

Não podemos esquecer que o dinheiro proveniente da corrupção comum, política, empresarial ou jurídica, mesmo que disfarçado com os pomposos nomes de “auxílios” ou dissimulados como “delações premiadas”, “acordos de leniência” ou outros, não deixará de ser corrupção. O dinheiro fruto da corrupção é maldito, e no lar em que adentrar só trará tristeza, vergonha, dor e angústia.
Desde a constituinte, e mesmo após a promulgação da constituição cidadã de 1988, autoridades sem compromisso com a ética orquestraram constantes ataques para enfraquecer a capacidade operacional-investigativa das Polícias Judiciárias. Apesar de tantos embates contra inimigos poderosos em todas as frentes, graças a abnegação, coragem e dedicação dos Delegados de Polícia do passado e seus auxiliares, chegamos até aqui. Sobrevivemos.
Policiais mais antigos não são culpados pelas mazelas atuais, pelo contrário, se ainda hoje há concursos para Delegados, Investigadores, Escrivães e Peritos, isso se deve ao esforço, persistência e coragem dos chamados “mais antigos”.
Nossa Instituição precisa avançar para benefício de toda a sociedade. Como em uma corrida de revezamento, aos novos integrantes das Polícias Judiciárias convém receber o “bastão” e dar prosseguimento à luta.
Não somos servidores públicos comuns. Alguns alegam que não conseguimos fazer um movimento de paralisação por desunião da classe ou autofagia. Não concordo. Vejo que, como Policiais, torna-se muito difícil abandonar, ainda que por motivos justos e por curto espaço de tempo, a sociedade que juramos defender e proteger com o sacrifício de nossas vidas. Não podemos trair os que tombaram em missão.
Atender ao grito desesperado de socorro de alguma vítima em perigo, está no âmago de todo aquele que possui vocação para a nobre e divina missão policial. Por essa razão, greves ou outros tipos de protestos que possam gerar perigo para a sociedade terão poucas chances de prosperar.
O amor ao nosso tão glorioso sacerdócio de Policial sempre estará atento aos clamores da sociedade. Estamos em momento de grave crise econômica e política, decorrente da profunda decadência de caráter que assola a nossa nação.
A diminuição da rede de proteção social sempre refletirá de alguma forma nos indicadores de violência. Assistimos uma redução de investimentos em áreas prioritárias, sem precedentes na história, e ainda somos apontados como os causadores da crise ou os responsáveis pela violência crescente. Tudo para garantir benesses e privilégios imorais e indecorosos, que fazem com que o Brasil tenha o Poder Judiciário e Ministério Público mais caros do planeta.
A reforma da previdência pode sim ser necessária, porém não deve ser utilizada como mecanismo imoral para retirar direitos básicos dos mais vulneráveis. Antes da reforma da previdência é preciso promover uma rigorosa auditoria independente para apurar desvios e, também, promover com urgência, a reforma da máquina pública.
Quando Deus chamou Gideão para libertar o povo de Israel, havia 32 mil homens de guerra. Deus mandou que fossem para casa os covardes e medrosos. Foram embora 22 mil. Depois foram dispensados os não aptos ao combate. Restaram apenas 300 guerreiros.
Precisamos agir com urgência. Dentre as 07 Medidas de Combate à Corrupção Jurídica, está previsto o fim do foro privilegiado e a reforma da máquina pública. Este é o caminho para restaurar a moralidade e garantir investimentos em segurança, saúde, educação e infraestrutura, o que permitirá que o Brasil possa enfim superar a grave crise moral e econômica.
Sabemos que enfrentar desafios não é para qualquer um. Desta forma, estão previamente dispensados todos aqueles que não são aptos ao combate.  Esperamos que você esteja alistado nas fileiras dos 300 guerreiros corajosos, destemidos e preparados   que decidiram ir à guerra contra a ameaça inimiga. Contamos com seu total envolvimento.

Curitiba, 07 de julho de 2017.

Claudio Marques Rolin e Silva
Delegado de Polícia, Presidente do SIDEPOL/PR, Coordenador Geral de Ações da Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves. Idealizador das 07 Medidas de Combate à Corrupção Jurídica e autor do livro Operação Sepulcros Caiados I –  Desvendando a “Face oculta” do Ministério Público Brasileiro. Para apoiar a campanha, acesse os sites:
www.operacaosepulcroscaiados.com.br ou www.fimdoforoprivilegiado.com.br.


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