Humanidade e Honra: Os pilares da força moral dos verdadeiros Policiais

sidepol e comissao

 

Todos os integrantes das forças de defesa (Forças Armadas) ou das forças de segurança (Policiais) devem buscar cumprir todas as missões com humanidade e honra, por uma razão muito simples: nós vamos voltar para casa. Toda violência desnecessária acaba de alguma forma afetando nossas mentes, que um dia cobrará o seu preço. Nossa consciência não foi programada para agir com violência contra outro ser humano. Quem atua na prevenção deve zelar para recorrer à força somente em último caso e na medida do estritamente necessário. Quem atua no campo da investigação criminal deve, a todo momento, ter em sua consciência o compromisso inabalável com a busca da verdade, bem como estar sempre atento aos terríveis efeitos de uma injusta condenação em decorrência de fraudes processuais ou investigações amadoras e midiáticas na vida de qualquer pessoa. Tudo isso para preservar no grau mais elevado possível a força moral que nos move no cumprimento da missão.

A Comissão do Senado americano concluiu que um dos fatores que contribuiu para o êxito do ataque terrorista do 11 de setembro foi o não compartilhamento de informações entre a CIA e o FBI. Essa disputa de egos entre instituições de segurança colaborou para que o maior atentado da história da humanidade ocorresse no coração dos EUA, atingindo até mesmo o pentágono, sede das forças de defesa da maior potência militar de todos os tempos. Desejosos de combater o terror, a nação que exportou para o mundo os elevados valores da democracia, recorreu à repugnante prática de atos de torturas contra suspeitos de integrar células terroristas. Com a soma de dois erros, não compartilhamento de informações e tortura, tentaram produzir um acerto: o combate ao terror.

Alguns insistem em afirmar que o uso da tortura impediu diversos outros ataques ao redor do mundo, porém o uso ilegítimo da força representa o mais grave atentado contra a força moral que sustenta uma nação. A segurança de nossos cidadãos não será garantida através de torturas ou execuções sumárias, mas sim com o uso da inteligência e da tecnologia. As torturas praticadas contra os supostos integrantes de células terroristas em nada contribuíram para conter novos ataques. As confissões sob tortura são semelhantes às delações de réus presos. Inventam os que lhes convém contra quem o “entrevistador” sugerir. Osama Bin Laden também só foi localizado e morto graças ao trabalho da inteligência, e não aos atos insanos dos torturadores.

Por mais que os exércitos da Alemanha nazista inventassem novas e potentes armas, os aliados de alguma forma os derrotariam. Os horrores da perseguição e extermínio do povo judeu já eram de conhecimento de todos e reduziram a pó a força moral das tropas alemãs. Em 1995, o Sub Oficial Marcus Lutrel, líder de uma equipe dos SEALs, decidiu poupar a vida de dois pastores de cabras e de um adolescente que detectaram a equipe de reconhecimento no Afeganistão. A equipe do Suboficial Marcus foi dizimada e 16 outros fuzileiros navais americanos perderam a vida em uma operação de resgate quando o helicóptero sem escolta foi abatido por um terrorista. Marcus se arrependeu de ter poupado a vida dos pastores e sacrificado a vida dos companheiros, mas maior arrependimento teria se em sua consciência estivessem registradas as imagens da covarde execução de três pessoas desarmadas e indefesas.

A morte não é o fim. O que nos move e nos fortalece na missão não são os potentes armamentos ou equipamentos de última geração. Nós somos movidos e impulsionados pela força moral, pela convicção inabalável de que representamos o bem e que por essa única razão nós vamos vencer. Quando podemos orar a Deus antes da missão e agradecer a Deus depois da missão, mantemos acesas as chamas da nossa força moral que nos capacita a ir em frente e conviver com nossas mentes no retorno para casa. O Policial que se corrompe, que mente para condenar inocentes, que executa alguém que já se rendeu ou que não esboçou reação alguma, será cobrado por sua mente e perseguido diuturnamente por sua consciência quando voltar para casa.

Quando falamos em defesa de direitos humanos, não estamos sendo contra as forças policiais, mas estamos atuando justamente em defesa destes. O policial que sem necessidade mata um infrator terá tantos problemas emocionais em futuro próximo que, em estudos de antecipação de cenários da Comissão de Direitos Humanos Irmãos Naves, concluímos que as forças de segurança terão que criar unidades especializadas para matar policiais homicidas quando estes se converterem em potenciais suicidas, em decorrência de graves transtornos mentais. O uso da força é legítimo em nossa consciência quando atuamos dentro dos limites legais. Quanto maior o investimento em tecnologia e Inteligência, menor será a necessidade de recorrer ao uso da força.

A missão de todo integrante das Forças de Defesa e das Forças de Segurança é vencer o mal com o bem. Se não atuarmos todo tempo com humanidade e honra, minamos nossa força moral e perdemos, gradativamente, qualquer senso humanitário. A defesa e proteção dos direitos humanos é a única razão da existência das forças policiais. Atuar na defesa dos direitos humanos é atuar também na defesa das mentes e corações dos nossos valorosos Policiais em seu retorno ao lar. Humanidade e honra serão sempre os pilares de sustentação da força moral que induz cada Policial a acreditar que é possível cumprir a divina missão de vencer o mal com o bem.

 

Marques Claudio Marques Rolin e Silva

Delegado de Polícia do Paraná

Coordenador Geral de Ações da CDH Irmãos Naves

Presidente do SIDEPOL/PR