OPINIÃO: O desvio de função dos Delegados relegados a guardadores de presos

Mais uma vez a Polícia Civil sofre um revés com a fuga dos presos da Delegacia de Piraquara, inclusive com um policial ferido na ocasião.
Infelizmente, há muitas décadas que a Polícia Civil encontra-se desviada da função para a qual foi criada, para atuar como “guardadora de presos” para o Judiciário.
Já não temos número suficiente para dar conta das investigações,  quanto mais para acumular funções.
Entram governos e saem governos, mas a situação se agrava cada vez mais, apesar das vãs promessas dos candidatos que, após subirem ao “poleiro”, mudam o discurso e transformam-se em carrascos.
Naturalmente, nós policiais temos grande responsabilidade nesta situação, já que não há unidade da classe para tomarmos uma posição. É comum alguns delegados irem aos políticos para pleitear benefícios para si próprio, nunca para a classe, enfraquecendo assim a todos nós.
Enquanto não houver a consciência de unidade não obteremos sucesso. Continuaremos a ser “guardadores de presos” e capacho dos que se acham poderosos. Assistiremos delegados de carreira sendo relegados ao plano de “chefes de cadeia”.
Está na hora de se  tomar uma posição e reivindicar o que nos é de direito. Se o Judiciário ‘a quo’ negar, existem muitos recursos nos Tribunais ‘ad quem’.
O que fizemos quando nos excluíram das carreiras jurídicas? Esperneamos? Recorremos? Fomos para a mídia para explicar que para ser Delegado a condiçãosine qua non’ é ser bacharel em direito? Que outros profissionais de nível superior, que não bacharel em direito, não podem sequer se inscrever para o concurso? Porque será que juízes, promotores, defensores e procuradores sempre conseguem benefícios? Porque entre eles existe unidade. Se algum deles comete um deslize é resolvido a portas fechadas, para não atingir a classe
 Todos sabemos que da mesma forma que há maus policiais, também existem maus médicos. Porque a maldade não é inerente a profissão, mas ao ser humano. Contudo, convém que os problemas sejam resolvidos sem atingir aos bons profissionais.
Hoje depositamos as esperanças na nossa entidade de classe, que tem se mostrado empenhada em corrigir as inúmeras discrepâncias trazem grandes prejuízos a todos nós. Por isto, precisamos nos unir busca de fortalecimento.
Unidos seremos fortes.

Paraná, 18 de novembro de 2019.

Tereza Ermelino dos Santos

Membro do Conselho Deliberativo do Sidepol PR.