CLOROQUINIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA

Os incautos e os acelerados consumidores de informações instantâneas da web podem achar, pelo título, que o presente texto trata das questões sobre a eficiência ou não da cloroquina, mas não é o caso. Utiliza-se do termo cloroquinização para enfatizar a banalização como as questões de segurança pública são tratadas, analogamente às enxurradas de informações contraditórias sobre a cloroquina. Hoje é comum as pessoas opinarem com certo ar de cientificidade sobre as questões de segurança pública, mas tais manifestações podem provocar danos às pessoas e mesmo à sociedade. E quando essas informações são oriundas dos próprios governos os danos podem ser graves e perenes.

Dentre as principais promessas de campanha do Governador Ratinho podemos elencar:

Criação e implantação da Cidade da Polícia; reativação do Fundo Estadual de Segurança Pública; criação e implantação do Projeto Falcão, criação e implantação do Projeto Olho Vivo; criação e implantação do Projeto O Bom Policial;  retirada dos presos das Delegacias de Polícia.

Quanto à valorização do Policial, basta afirmar que o Governador aumentou a alíquota de contribuição previdenciária e reduziu a pensão paga à família do policial aposentado que venha a morrer. Aqui não se discute o mérito da mudança previdenciária, mas sim o fato de que o governante afirmou que iria reconhecer o trabalho do bom policial. Hoje, no Paraná, o Bom Policial teve seu salário reduzido, não se paga a reposição da inflação desde 2016 (não é aumento salarial) e as promoções foram suspensas.

No mesmo sentido, alguns policiais civis, que em muitos casos são obrigados a custodiar presos, não tem seus direitos assegurados quanto à insalubridade. Sim, os presos continuam nas Delegacias de Polícia, mais uma promessa que não foi cumprida.

Falando dos presos e da precarização das questões de segurança pública, o Paraná possui cerca de 1400 agentes de cadeia pública que foram contratados via PSS e que não receberam qualquer forma de capacitação. A cloroquinização defende que, para atuar na área de segurança pública, basta querer, não sendo necessária a profissionalização.

O quadro dos Policiais Civis no Paraná de 1982 prevê o preenchimento de 5000 vagas. Hoje, no Paraná, não somos nem 4000 policiais, e foi autorizado um novo concurso que não contempla nem o quadro de 1982. Como era a criminalidade em 1982 no Paraná e como é agora em 2020? Não existe milagre! Na administração em geral e, em especial, na segurança pública não se pode depender de amadorismo ou de  achismos. É necessário um aumento no número de Policiais Civis no estado. 

Quanto aos demais projetos e promessas, nada foi realizado ou implantado. Cloroquinizaram a segurança pública no estado. Uns dizem que funciona, outros que não. O governo diz que é suficiente e a população diz que não.

Curitiba/PR, 29 de julho de 2020.

Eduardo Mady Barbosa

Diretor de Comunicação Social do

SIDEPOL