Até tu Plauto!

Dizem que os “homens passam mas as instituições ficam”, mas também não deixa de ser verdade que, se os homens que as lideram forem grandes e agirem como tal, poderão engrandece-las mas se a sua grandeza se resumir ao tamanho do corpo, poderão enfraquece-las, quando não condená-las à extinção. José Carlos de Bessa Machado[1].

Qualquer neófito de História sabe, ou deveria saber, da frase atribuída a Júlio César, Imperador de Roma, bradada quando de sua morte ao ver entre seus algozes a figura de seu filho Marcus Brutus “Até tu Brutus”.

Para alguns a História é linear já para outros a História é cíclica, se repete de tempos em tempos. No caso da Polícia Civil temos a impressão que determinados situações são realmente cíclicas.

 A cada eleição temos políticos, não se sabe se em virtude dos ânimos exacerbados ou ainda desesperados, que querem a todo custo crescer denegrindo a imagem de uma instituição Histórica, a Polícia Civil do Paraná.    

  Não podemos rasgar os pergaminhos da História da Polícia Civil Do Paraná, neles estão transcritos momentos de dor e de glória. Nós fazemos parte dessa história, de vários momentos de acertos e erros. Somos seres humanos moldados na forma da incerteza e da imperfeição, mas buscamos avidamente ofertar o melhor da segurança pública à uma civilização que luta por controlar seus instintos violentos desde seu nascituro.

Hoje, em virtude desse olhar próprio, guiado por essa luz, é que ficamos estarrecidos com a notícia que o Excelentíssimo Senhor Deputado Estadual Plauto Miró Guimarães utilizou-se da mídia para tecer críticas e lançar dúvidas infundadas sobre a atuação do Delegado de Polícia no flagrante sobre possível “atentado a um candidato a prefeito da cidade de Ponta Grossa”, coincidentemente apoiado pelo mesmo.

Poderíamos tornar público inúmeros argumentos legais utilizados pelo Delegado de Polícia por ter agido daquela forma, ou somente publicitar o fato de que o Flagrante Lavrado foi homologado pelo Judiciário.

Mas acreditamos que não basta, é necessário alertar o nobre Deputado e especialmente a população de Ponta Grossa que simplesmente o Delegado de Polícia cumpriu a lei.

Simplesmente assim, sem a mínima possibilidade do surgimento de teorias conspiratórias, o Delegado de Polícia cumpriu o que está determinado na lei.

Paradoxalmente as leis no Brasil são feitas pelo poder Legislativo, representado no âmbito federal pelos Senadores e Deputados Federais e nos estados pelos Deputados Estaduais. O que nos provocas dúvidas. Será que o Excelentíssimo Senhor Deputado Estadual Plauto Miró Guimarães não conhece as leis? 

De nossa parte só nos resta lamentar e rogar que tais estupefatos rompantes não se tornem uma constante naqueles que almejam alcançar tão nobre função pública que é legislar e/ou governar a nação.

Para que tais infortúnios não se repitam disponibilizamos ainda ao Excelentíssimo Senhor Deputado Estadual Plauto Miró Guimarães um exemplar do Estatuto do Desarmamento – Lei nº 10.826/2003, alterada pela Lei 13.964/2019, juntamente com um Código de Processo Penal e Código Penal atualizados.  

Curitiba/PR, 28 de outubro de 2020.



[1] Disponível http://www.aoacaso.com/2014/01/30/os-homens-e-as-instituicoes/, acesso em 04/10/2020